Tudo em Ordem?
Com método, fica fácil manter os ambientes arrumados e sem a preocupação de esconder tudo aquilo que incomoda quando espalhado pela casa
Gabriela Carvalho
Gastar preciosos e, às vezes, demorados minutos procurando algo que está ali, bem no próprio armário, é rotina para milhares de pessoas: aquelas que se enquadram no incômodo rótulo de bagunceiras. Atrasadas para o trabalho, elas não encontram a peça de roupa desejada, as chaves do carro ou aquele papelzinho no qual anotam a lista de compras do supermercado. A responsabilidade pela irritante situação não é segredo e, como admite a economista e empresária Eliete Maria Lessa Carvalho, é exatamente de quem reclama. “A culpa é nossa mesmo, que vamos criando a bagunça aos pouquinhos, sem perceber”, diz ela.
Mãe de Felipe, de 20 anos, e Marina, de 9 anos, Eliete Maria trabalha fora o dia inteiro e lamenta não ter tempo para se dedicar à casa. Mas, para ela, dividir o mesmo teto com a desordem também não é a solução. Por isso, a economista lança mão de uma personal organizer, profissional especializada em organização de ambientes – do closet e armários dos quartos, ao escritório, rouparia, banheiro, armários de TV, lavanderia e até a despensa, ou seja, tudo e qualquer cantinho que estiver no mais perfeito caos.
A recompensa pela organização, além da satisfação de se viver em lugar harmonioso, é a facilidade do trabalho de manutenção de toda a casa. “Já observei a diferença que faz para minhas ajudantes. Até meus filhos se disciplinaram mais e se esforçam para manter o local arrumado”, avalia Maria Eliete. Para a personal organizer Agni Melo, a organização se traduz em melhor controle dos espaços, da rotina e, em geral, da vida. “Ao definirmos as prioridades, determinando como investir nosso tempo, a qualidade de vida aumenta e as tarefas cotidianas ganham agilidade e praticidade”, defende.
Agni trabalha como personal organizer há mais de sete anos. A profissional de hoje começou de forma amadora. Ainda pequena, já gostava de manter seus pertences bem arrumadinhos. Ao longo dos anos, amigos e familiares perceberam o jeito especial de Agni e chegavam com todo tipo de pedido: socorro à “zorra” do closet da irmã, na mudança de casa de um tio e até na guarda dos presentes de casamento de uma amiga.
Já formada em Relações Públicas, Agni e duas amigas resolveram montar o próprio negócio e daí surgiu a Arte de Arrumar. A empresa, em Belo Horizonte, oferece serviços de organização, consultorias de imagem pessoal e empresarial. Segundo a proprietária, a maior dificuldade, no começo da experiência, foi explicar aos leigos qual é a função de um organizer. “As pessoas não entendiam a necessidade de se contratar alguém para esse tipo de serviço”, lembra. Hoje, a empresa oferece cursos e treinamentos para a formação de novos profissionais. A hora de trabalho de um organizer custa, em média, R$36.
Criando estilo
Com o surgimento do personal organizer, um segmento da indústria e do comércio ganhou destaque: o de produtos e objetos que auxiliam na organização pessoal, de residências e de empresas. Tem de tudo: caixas de tamanhos variados para diversas finalidades, baús, pequenos armários, prateleiras e gavetas, suportes, cabides, capas protetoras de roupas, porta-enxovais, forros para gavetas, recipientes para maquiagem, remédios, jóias e bijuterias, porta-bonés, prendedores de lenço etc.
Na capital mineira, a proprietária da loja especializada Organizzata, Cláudia Gazzinelli, afirma que a variedade de itens mostra que, independente do tamanho da casa, tudo pode ser guardado em seu devido lugar, sem ocupar espaços excessivos e evitando o aspecto de desleixo. “As pessoas estão recebendo os benefícios da organização. Começam colocando em ordem um único ambiente, mas, quando veem os resultados, voltam na loja e adquirem produtos para trabalhar em outros cômodos”, destaca.
Segundo Cláudia, estão disponíveis no mercado opções de diferentes faixas de preço, variando também o tipo de material. “Os produtos deixaram de ser apenas para a classe A. Temos linhas de closet para os diversos bolsos”, informa. As caixas e cestas são as campeãs no gosto dos clientes, especialmente no de mulheres e adolescentes.
O decorador e artista plástico Marcelo Darghan destaca que a funcionalidade não é o único atributo das peças que servem para organização. Os ambientes, diz ele, não precisam se parecer com departamentos de estocagem. Podem e devem conter organizadores de formas, materiais e cores variadas. “Esses objetos foram uma grande sacada. Aliam a necessidade e a praticidade ao bom gosto e à criatividade”, destaca Darghan, para quem os produtos podem ser usados para deixar o ambiente com a marca do profissional e, ao mesmo tempo, torná-lo funcional e com a cara do cliente.
Por onde começar?
Não existe milagre para se ter uma casa com tudo no lugar ideal. Mas, de acordo com as personals organizers Jane Mattos e Juliana Drummond – da loja Orderhome Soluções em Organização, situada em Brasília – algumas dicas simples podem contribuir para evitar problemas domésticos causados pela desorganização. Do ponto de vista dos objetos pessoais, de uso diário, como chaves, carteira, óculos e celular, as caixas com divisórias, que podem ser mantidas na sala, são a solução perfeita. Modelos práticos, bonitos e super charmosos, dão o toque especial na decoração.
Para colocar ordem nos quartos, a dúvida mais freqüente é o que fazer com os acessórios de estilo, como colares, anéis e pulseiras. São muitas as sugestões de Jane e Juliana: caixas de MDF forradas, em acrílico, em vidro espelhado ou de veludo, com ou sem divisórias. Sendo bonitas, sofisticadas ou simples, não precisam ficar escondidas no armário. Expostas deixam à vista as opções na hora de produzir o visual para sair de casa.
Para as roupas íntimas, as especialistas recomendam divisórias chamadas de colméias ou casulos, que servem para o interior das gavetas e estão disponíveis em acrílico, polietileno ou vinil.
Um erro comum é guardar maquiagem no banheiro, alertam as organizers, por causa dos danos causados pela umidade própria do local. Porém, a bancada da suíte ou do banho social fica linda e arrumada se cremes, algodão, cotonetes e sabonete estiverem acondicionados em cestos. Se forem de plástico, serão úteis também no Box para armazenar shampoo, condicionador e sabonete líquido.
Já na cozinha, é a geladeira que está sempre precisando de um jeitinho. Cestas extras de acrílico ajudam na separação das frutas, legumes e verduras. Um item impossível de ficar de fora são os brinquedos da criança, um eterno drama para pais, babás e ajudantes dos serviços da casa. Com criatividade e também estratégia definida, brinquedos ficam visíveis e, portanto, sempre acessíveis, em prateleiras ou armários, guardados em caixas que facilitam o manuseio, evitando que as crianças tirem tudo
Do lugar para encontrar aquele único objeto de desejo. Também existe a opção de contêineres coloridos de plástico que, além de armazenar os brinquedos, têm função educativa.
Com jeito de profissional
Aprenda com Agni Melo como transformar aquela bagunça no mais perfeito exemplo de organização. A Revista MRV acompanhou o trabalho da personal organizer no closet do filho mais velho da economista Eliete Maria Carvalho. Conhecendo as necessidades e o cotidiano de Felipe, Agni colocou em ordem, tudo o que estava espalhado aleatoriamente pelas prateleiras, gavetas e pelo quarto.
· Agni começou retirando o que estava “guardado” no closet, mas já de forma ordeira, separando, em pequenos montes, as peças por tipo e tecido. Utilizando-se de um gabarito – objeto que deixará as roupas no mesmo formato e que pode ser até uma revista, livro ou caderno -, ela dobrou as camisas de malha.
· Depois foi a vez dos pijamas e roupas de ginástica, que ganharam a forma de um “pacotinho”, onde as peças em par (o calção e a camiseta do pijama) ficam uma dentro da outra. Já os abadas, muito usados pelo jovem, foram colocados na gaveta de forma a estar sempre à mão e organizados.
· Com as bermudas, Agni fez os chamados “rolinhos”: depois de uma dobra, a peça é enrolada e colocada na gaveta, uma amparando a outra. Calças de tecido e camisas foram penduradas, mas sempre observando a cor e o comprimento das mangas.
· Os travesseiros e edredons foram práticos de se guardar. Com dobras tradicionais, a organizer os colocou no alto do closet e pronto. Já os sapatos deram um trabalhão. A quantidade de pares era maior que o espaço que podiam ocupar, mas Agni criou três fileiras, separando duas para os sapatos e uma para as chuteiras e tênis.
Mais dicas para quem quer se aventurar
1. Pense nas suas necessidades e observe bem os espaços disponíveis
2. Imagine, antes de começar a arrumação, como otimizar tais espaços
3. Separe as peças de roupa por tipo, levando também em consideração o tecido
4. Agrupe as roupas por cor
5. Se dobradas, evite criar pilhas altas
6. Não pendure blusas de malha em cabides, pois elas deformam
7. Procure deixar tudo ao alcance dos olhos
VEÍCULO: Revista MRV
PÁGINA: 12 a 15
DATA: Abril de 2010
